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CORRIDA CONTRA O FORO DE SAO PAULO

CORRIDA CONTRA O FORO DE SAO PAULO
JUIZ SERGIO MORO, NOSSO ORGULHO!

22 de jan de 2016

NOVAS DELACOES CONTRA JOAO VACCARI NETO

Delator detalha entrega de ‘pixulecos’ a Vaccari para campanha de 2010
‘Eu entregava pessoalmente, levava numa malinha com rodinhas’, disse Pascowitch

SÃO PAULO — O delator Milton Pascowitch, dono da Jamp Associados, afirmou ao juiz Sérgio Moro ter entregado R$ 10 milhões em dinheiro a João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, em uma "mala de rodinhas", com remessas em torno de R$ 500 mil levadas no diretório nacional do partido entre o fim de 2009 e meados de 2011 — o delator já havia citado a cifra de R$ 10 milhões em depoimento do ano passado. O dinheiro, segundo ele, era destinado às eleições de 2010 e correspondia a propinas de contratos com a Petrobras firmados pelas empresas Engevix, Hope e Personal. Outros R$ 4 milhões foram pagos na forma de doação eleitoral oficial, declarada ao Tribunal Superior Eleitoral. O total chegou a R$ 14 milhões.
— Eu entregava pessoalmente, levava numa malinha com rodinhas. Entregava dentro do diretório nacional do PT, na sala dele (Vaccari) — afirmou Pascowitch, que prestou depoimento nesta quarta-feira a Moro na ação da Operação Pixuleco, que levou à prisão o ex-ministro José Dirceu - “pixuleco” era a forma como o então tesoureiro do PT se referia às propinas recebidas.
Pascowitch afirmou que os pagamentos a Vaccari passaram a ser feitos devido à necessidade de o partido receber o dinheiro para as eleições. Entre 2003 e 2009, afirmou, a propina era repassada ao grupo político do ex-ministro José Dirceu.
O delator confirmou ter atuado como operador no pagamento de propinas a políticos. Inicialmente, o dinheiro ao "grupo político" foi pago a Silvio Pereira, que foi secretário-geral nacional do PT e ao lobista Fernando Moura, que também assinou acordo de delação premiada na Operação Lava-Jato. Silvinho saiu de cena com o escândalo do mensalão. Pascowitch contou que em 2007 conheceu o ex-ministro José Dirceu e, a partir de então, passou a fazer os contatos diretamente com ele ou por meio de intermediários dele, como o irmão Luiz Eduardo de Oliveira e Silva e o assessor Roberto Marques.
“Dirceu desvirtuou” , diz delator
Segundo o delator, a propina paga a Dirceu correspondia a 0,5% dos contratos firmados pela Engevix com a Petrobras e envolveu obras em várias refinarias, além do projeto Unidade de Tratamento de Gás Natural de Cacimbas em Linhares, no Espírito Santo, dividida em dois contratos - Cacimbas I e II.
Pascowitch disse que José Dirceu chegou de fato a prestar serviços de consultoria para a Engevix, como a apresentação a autoridades no Peru.
- Depois disso acho que o José Dirceu desvirtuou de sua função de consultor e passou a ser um "ser político", não mais um consultor - afirmou.
Ele disse que os valores repassados a Dirceu, provenientes de propina da Petrobras, foram destinados a cobrir "necessidades" do escritório do ex-ministro.
- As consultorias eram delegadas. Ele tinha contratos de R$ 20 mil, R$ 30 mil por mês, e despesas de R$ 800 mil, R$ 1 milhão - disse, acrescentando que, com o déficit, o irmão de Dirceu, Luiz Eduardo, fazia forte pressão para que fossem repassados recursos de contratos que a Engevix tinha assinado com a Petrobras.
Pascowitch disse que Dirceu se tornou, a partir de 2007, "absolutamente alheio" à administração da empresa, que acabou ficando a cargo de Luiz Eduardo, irmão do ex-ministro. Contou que chegou a dizer a Dirceu que achava absurdo ele não saber quanto iria gastar dali a 30 dias. Os pedidos de dinheiro, afirmou, eram feitos por Luiz Eduardo "por ordem e conta" de Dirceu.
- Se eles faziam conosco, imagino que fizesse com outras empresas também - afirmou.
Foi Dirceu, segundo ele, quem autorizou que parte do dinheiro destinado a ele fosse pago diretamente ao irmão e ao assessor.
Segundo ele, a Engevix atenderia pedidos de recursos de Dirceu mesmo que não fossem originários de contratos da Petrobras, em função do relacionamento da empresa com o ex-ministro.
Segundo ele, a Engevix tinha pleno conhecimento do pagamento de propinas, por meio de Gerson Almada, que depois orientava Cristiano Kok a fazer contratos que eram vinculados diretamente à presidência da empresa para justificar os valores repassados.
Propinas pagas desde 2003
Pascowitch contou ter iniciado os contatos na Petrobras por meio de Fernando Moura, a quem já conhecia, com o intuito de aumentar os negócios da Engevix com a estatal. Até 2003, a empresa tinha apenas alguns contratos na Transpetro. Em seguida, conheceu o gerente da Petrobras Pedro Barusco, com quem passou a jogar golfe.
— Eu me servia das informações de Barusco para passar a Fernando Moura, do grupo político. Eles as usavam para cobrar propinas — afirmou.
Foi Moura quem pediu a Pascowitch que passasse a atuar como operador de propinas também em contratos feitos por outras empresas, além da Engevix.
Ao juiz Sérgio Moro, o delator afirmou que a propina era de 1,5% do valor dos contratos com a Petrobras. Além do 0,5% dos políticos, entregue ao grupo de Dirceu, a "casa", formada pelos executivos da Petrobras, ficava com 0,5% e ele próprio com 0,5%, a título de remuneração pelo serviço.
Pascowitch pagava a propina ao grupo de Dirceu de diversas formas. Para Moura, diz ter pago diversas despesas pessoais dele e de seus parentes. Para Dirceu, pagou reformas na casa do ex-ministro em Vinhedo (SP) e simulou a compra de um sobrado da filha.
Os funcionários da Petrobras receberam em dinheiro dentro e fora do Brasil, em reforma de imóveis e em obras de arte.
Pascowitch disse que pagou no exterior US$ 380 mil dólares por obra de arte comprada no Brasil pelo ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e uma escultura comprada em leilão de arte em São Paulo. Também repassou dinheiro para uma empresa de Duque, a D3TM, e pagou reformas de um apartamento dele em São Paulo.
Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras e também delator da Lava-Jato, recebeu US$ 860 mil em contas no exterior, além de pelo menos R$ 100 mil pagos em espécie no Brasil.
Segundo o delator, nunca houve ameaças para que as propinas fossem pagas, mas quando a Engevix ganhou a licitação para fornecer cascos replicantes à Petrobras, Barusco e Duque foram na casa dele num sábado para dizer que a concorrência seria cancelada, porque o preço ofertado pela empresa era baixo e tornaria o contrato inexequível.
Pascowitch chegou a dizer que o assessor de Dirceu, Roberto Marques, conseguiu também emplacar uma empresa inglesa para fazer o resseguro das sondas da Sete Brasil, o que rendeu propina também a Barusco. Quando o BTG assumiu a empresa, no entanto, as apólices teriam sido canceladas. A propina, porém, já havia sido paga. O delator não disse quanto o grupo chegou a receber.


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