11 de jan de 2015

GOVERNO QUER AVACALHAR AINDA MAIS O POVO

Petrobrás de Jornalismo

Cinismo e sadismo: governo vai usar verba estatal, via Petrobrás, para distribuir a jornalistas “merecedores” via Prêmio Petrobrás de Jornalismo

sadismo
Uma desconstrução pertinente que podemos fazer das obras de Marquês de Sade é a seguinte: ali estuda-se um fenômeno da dominação de uma pessoa mais esperta e imoral, sobre outra ingênua e moral. Muitos dos exemplos contidos nas obras do autor podem ser avaliados por essa ótica.
A coisa é bem simples. Imaginemos um casal, onde ele é o “mestre” e a mulher a “serva”. O início pode ser com uma deselegância pequena, a qual é retribuída com uma validação. Dias depois, ele pode armar uma situação para que sua mulher seja vista nua por várias pessoas na rua, como forma de humilhação. De novo, com validação. Futuramente, ele também pode praticar uma séria violência física. A validação prossegue. E assim, sucessivamente, a serva vai ficando cada vez mais dominada. (Note que não estou tratando dos casos em que os casais “jogam” com sadomasoquismo. Estou falando daqueles sádicos que levam a coisa a sério, dominando alguém sem que seu alvo esteja consciente do jogo)
Em muitos casos, o alvo não será assassinado. Raramente será mutilado. Mas vai sofrer muito, até seu “eu” ser completamente esfacelado. Ao final do processo, o sádico terá ganho um servo, prestes a agir de forma canina com seu dono. É uma espécie de Síndrome de Estocolmo, mas levada a cabo por um processo sólido e estruturado.
Claro que no curso do processo, a vítima deste jogo poderia dizer: “Agora chega!”. Sabe o que ocorreria? Um jantar à luz de velas, com um pedido de desculpas. Se o comportamento da vítima desistente do jogo for congruente com seu protesto, melhor ainda. E, em muitos casos, os sádicos passam a respeitar mais quem faça isso. Isso pode ser visto apenas parcialmente na obra A História de O, de Pauline Reage, claramente uma autora influenciada por Marquês de Sade. Alguns vão até o final, interrompendo o processo e devolvendo as coisas na mesma moeda, recebendo respeito de volta, e outros aceitam servilmente até terem sua identidade completamente destruída.
Nota-se que o governo já está em fase avançada deste processo misturando cinismo e sadismo contra os brasileiros, conforme notícia Em meio a crise, Petrobrás vai distribuir R$ 500 mil em prêmios para jornalistas, do Estadão:
Em meio a um escândalo de corrupção que afeta sua imagem e faz seu valor de mercado despencar, a Petrobrás vai distribuir quase meio milhão de reais em prêmios para jornalistas. A estatal decidiu reeditar o “Prêmio Petrobrás de Jornalismo”, criada no ano passado, e agraciará autores de 36 trabalhos, publicados em diferentes mídias, com cheques que variam de R$ 7.600 a R$ 31.800, somando R$ 489.500.
O valor é 337% maior do que o oferecido pelo Prêmio Esso, o mais prestigiado do jornalismo brasileiro que contempla 14 trabalhos, 22 a menos do que o da Petrobrás. A petroleira justificou ao Estado que manteve o prêmio mesmo na crise “por ser um evento anual”.
Conforme a empresa, o orçamento destinado à premiação é ínfimo em comparação ao da área de Comunicação Institucional da empresa.“Em 2013, ano de lançamento do prêmio, o orçamento da Comunicação Institucional foi de R$ 704 milhões de reais (1,09% do orçamento total da Petrobras S.A.) e o valor investido no Prêmio Petrobras foi de R$ 443.950,00, que correspondeu a 0,06% do orçamento total da Comunicação”, informou em nota. Conforme a Petrobrás, para a edição de 2014 os valores foram corrigidos pelo índice de inflação e o total será de R$ 489.500,00.
Enfim, a intenção não é mais apenas avacalhar. Há que escrachar, ridicularizar e afrontar deliberadamente o povo brasileiro.
É a isto que eu me referia aqui. O governo está, assim como nas obras do Marquês de Sade, aumentando o nível das humilhações lançadas sobre o brasileiro ao fazer premiação de jornalistas (e nós já sabemos qual é o tipo de gente que eles premiarão, certo?). Em troca, muitos não demonstram a justa indignação, permitindo ao governo entender que pode aumentar o tom das provocações.

Um comentário:

CAntonio disse...

Como sempre o modus operandi da quadrilha é o mesmo: comprar a Imprensa; pelo menos aquela que não aderiu espontaneamente. Um dia, como hoje acontece na Venezuela, o dinheiro acaba.