Seguidores

17 de dez de 2013

REPRESENTANTES DAS MINORIAS OU DE SI MESMOS?




Imagine poder fazer o que quiser, sem ser julgado. Ou, ao  menos, receber um julgamento muito mais caridoso pelas mesmas faltas que os outros cometem. Isso seria um grande poder, não? Algo como uma “imunidade” quase absoluta.
Esse “free pass” existe e é utilizado hoje em dia por quase todos os grupos que se auto-denominam “representantes de minorias”, mesmo que na verdade representem a si próprios e seus interesses focados em aparelhamento estatal e outras formas de recebimento de verba pública.
O truque se baseia em pedir direitos especiais, ao passo em que se finge lutar por “direitos iguais”. Por exemplo, a Lei Maria da Penha para as mulheres, mas sem um equivalente para proteção do homem. Ou mesmo a Lei de Cotas para os negros, mas sem um equivalente para os pobres de outras raças. E que tal a legislação que busca proibir a crítica aos homossexuais, mas sem um equivalente para as críticas de grupos homossexuais aos religiosos, por exemplo?
Em todos estes casos, temos o pedido de direitos especiais, e a possibilidade de um grupo viver sem praticamente precisar seguir as mesmas leis que os outros. É a luta por uma legislação focada em privilégios e mamatas para uns grupos, em detrimento de outros.
Para reagir a eventuais críticas, os esquerdistas criaram o truque de acusar o oponente de “falsa simetria”.
Vamos às instâncias desse jogo:
  • Suponha que você diga que é injusto que as mulheres tenham leis especiais de proteção contra o crime, e que essas leis devem valem para ambos os lados – as feministas vão te acusar de falsa simetria, pois “há um histórico de opressão patriarcal e blá blá blá”. Por isso, elas dirão que as mulheres não podem ser julgadas como os homens. É por esse princípio que elas julgaram como lícito o aplicativo Lulu (onde as mulheres podiam avaliar os homens), mas consideraram ilícito o aplicativo fake Tubby (onde os homens poderiam, ao menos enquanto todos não sabiam que era uma piada, avaliar as mulheres). Para quem dissesse que o direito de julgar o sexo oposto deveria ser o mesmo, as feministas bradariam: “falsa simetria”.
  • Suponha que você afirme que é errado que os grupos da militância gay proíbam piadas e críticas vindas de heterossexuais, mas ao mesmo tempo lutem para poder criticar os heterossexuais, ou mesmo os conservadores, que defendem o modo de vida da família tradicional. Quando você defende o direito igualitário de crítica, o movimento gay te acusará de falsa simetria, pois “historicamente os gays sempre foram oprimidos e blá blá blá”. Por isso, eles dirão que os gays não podem ser criticados, enquanto os heterossexuais podem. Qualquer argumentação lógica feita denunciando o privilégio pedido ao movimento LGBT pode ser rebatido com o grito “falsa simetria”.
  • O mesmo vale para uma situação onde você critique as cotas raciais, defendendo um programa onde as universidades possam beneficiar os alunos pobres, independente de qualquer raça. Aí um grupo do “movimento negro” poderá dizer que pedir condições iguais nessa situação é absurdo, pois “historicamente o homem branco sempre foi opressor e blá blá blá”. Por isso, pedir direitos iguais será (espero que você já tenha pego o jeitão do truque)… falsa simetria.
Enfim, “falsa simetria” é apenas um chavão, ou melhor, um clichê, que não significa absolutamente nada e não dá nenhum argumento a favor da desigualdade de direitos. E atenção: falsa simetria não passa da ACUSAÇÃO que os esquerdistas lançam sobre os opositores, quando estes questionam o ato de dar privilégios a um grupo de forma injustificada, enquanto a alegação é de que estão sendo oferecidos “direitos iguais”.
O fato de um grupo ter tido piores condições no passado não implica em direito a revanchismo. Em outras palavras, o fato da torcida do Grêmio tomar uma surra na final da Libertadores de duas décadas atrás, não dá o direito mesma torcida poder bater em outras torcidas no presente sem ser punida.
O truque da falsa simetria nunca vem respaldado por qualquer argumentação que sobreviva a qualquer guia de falácias.  É apenas um clichê, tal qual a famosa “divida histórica”, que no fundo visa estabelecer privilégios enquanto se finge “lutar por direitos iguais”.
Geralmente, quando o esquerdista gritar “falsa simetria”, é quase certeza que está escondendo um ato de revanchismo defendido por ele.

Nenhum comentário: