28 de jul de 2009

Lua de Mel Entre Obama e Chaves Esta Perto de Terminar


Seg, 27 Jul, 06h03



Por Raymond Colitt


CARACAS (Reuters) - Quando o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse em abril ao norte-americano Barack Obama que queria ser seu amigo, parecia haver uma chance razoável de que Chávez atenuaria sua retórica antiamericana.

Mas as relações pioraram, e Chávez voltou à ofensiva. Desta vez, ele acusou Washington de apoiar o golpe de Estado contra seu aliado hondurenho Manuel Zelaya, e em seguida queixou-se duramente do relatório do Congresso norte-americano que aponta a corrupção no governo Chávez como fator preponderante no aumento do tráfico de cocaína através da Venezuela.

Mas Chávez ficou especialmente indignado quando a Colômbia anunciou a intenção de aumentar o número de operações antidrogas em seu território.

De acordo com Chávez, esses três fatos mostram que as hostilidades dos EUA contra a Venezuela continuam sob o governo Obama, e que a ajuda militar adicional ao governo conservador da Colômbia representa uma ameaça para a Venezuela e para outros países andinos.

"A máscara de Obama está derretendo", disse Chávez no fim de semana a parlamentares, acrescentando que o norte-americano preferiu manter "o império" vivo.

Dias depois do anúncio da Colômbia sobre a ajuda dos EUA, Chávez, no poder há mais de uma década, disse que irá comprar mais tanques russos e fortalecer a Marinha e a Força Aérea.

No entanto, as relações entre Caracas e Washington ainda não chegaram ao mesmo grau de deterioração ocorrido durante o governo de George W. Bush, e alguns analistas dizem que o novo surto de retórica antiamericana chavista não significa que ele cogite medidas radicais, como a interrupção do fluxo de petróleo para os EUA.

"Precisamos prestar menos atenção àquilo que ele diz e mais ao que ele faz", disse Orlando Pérez, professor de Ciência Política da Universidade Central de Michigan, especialista em relações EUA-América Latina.

Obama promete relançar as relações de Washington com seus vizinhos ao sul, o que gera esperanças de que se reduzam as tensões entre os EUA e o bloco de governos esquerdistas da região, liderados por Chávez.

Recentemente, Venezuela e EUA restauraram relações diplomáticas plenas, e vários governos de esquerda, como os de Equador e Cuba, atenuaram suas críticas às políticas dos EUA.

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