23 de nov de 2007

A Marcha da Familia com Deus....

Caros amigos, vamos unir as nossas forças para expulsar de novo essa gang de comunistas que tomou conta do nosso país?
Postarei a voces alguns trechos de alguns artigos de Sergio Lamarão falando sobre os movimentos populares que pressionaram as forças armadas para a continuidade da nossa democracia. Portanto os militares foram pressionados pela massa da população para que essa corja que esta aí hoje nao tomasse o poder daquela vez. Esses movimentos tiveram varios nomes tais como: A Revolta dos Sargentos, A revolta dos Marinheiros, A Marcha da Familia com Deus pela Liberdade (SP), Movimento das mulheres de Minas, (que chamou mais a minha atenção na epoca, porque elas estavam proibidas de falar no Radio para convocar as amigas, mesmo assim elas pegaram a lista telefonica, convocaram as mulheres aos milhares e deitaram na pista do Aeroporto de B.H. para que Brizola nao pudesse descer e fazer um discurso pelo rádio que estava a seu serviço, em todo o país. Ele ja havia falado no RGS e no RJ) O episodio das mulheres de Minas foi um dos mais importantes, porem desapareceu totalmente dos arquivos por mais que se procure. Com a nossa mobilização provavelmente alquem aparecerá com fotos e reportagens da época. Eu era muito jovem, mas isso me marcou muito.A Revolução de 64 era contra o caminho do Brasil para a anarquia. Nós estávamos sentindo crescer aquele clima que eu encontrava no Nordeste, que eu encontrava aqui no Rio, que eu via em toda parte. Nós víamos que a cada dia crescia o movimento esquerdista brasileiro. Era o "seu" Dante Pelacani com o CGT, que depois apareceu ao lado do Jango no comício do dia 13; era o Hércules Correia falando no ouvido do Jango...
Não se tinha ódio do Jango. Nunca se pensou na figura do Jango como homem. Pensou-se na figura do Jango como presidente da República, deixando crescer a maré em torno dele. Esse é que era o perigo. [Jango] era um homem culturalmente despreparado, apenas um bom fazendeiro, um bom criador de bezerro. E pessoalmente era um bom sujeito. Não encontrei, em nenhum companheiro de revolução, pelo menos entre aqueles que têm critério, qualquer atitude hostil à pessoa do Jango. Agora, à pessoa do presidente, sim.
Afinal começamos a discutir como é que se poderia, se fosse necessário, fazer o movimento partir. E sentimos que no Rio de Janeiro seria muito difícil. Aqui estava o governo, aqui estavam comandos completamente leais ao presidente. No Rio Grande seria absolutamente difícil. No Nordeste seria muito excêntrico. Então, só havia possibilidade de duas ações: ou em São Paulo, ou em Minas. Nesse sentido, se fez um trabalho junto ao Ademar e ao Magalhães Pinto.
Ademar declarou que não daria a partida, porque em 1932 São Paulo ficou sozinho, e havia a promessa de apoio de outros estados. Ele não queria ser o responsável pela repetição de 1932, mas acompanharia, estaria imediatamente ao nosso lado – como de fato esteve. Então, só havia um jeito, era Minas. Já se sabia que Minas viria. Eu tinha sido convidado, Cordeiro estava em ligação com Magalhães Pinto, Ademar tinha ligações com outros elementos do estado. Ninguém falava com o Mourão, mas eu tinha tido ligação com ele. Sabia-se que Minas viria.
Março foi o mês em que se deram as grandes definições. O mês começou com agitações e declarações crescentes. Era a Supra, eram as reformas de base, era a reforma agrária, era a legalização do Partido Comunista, era aquela efervescência toda. E chegou a notícia de que no dia 1º de maio seria dado [um golpe do governo]. Então concluímos: temos que fazer isso antes. Era preciso modificar a forma como tínhamos nos preparado para enfrentar a situação para podermos partir antes. Começamos a fazer um novo trabalho de ativamento das articulações, de maneira que pudéssemos partir antes do governo.
A coisa foi num crescendo, até chegar a sexta-feira 13, data marcada para o comício na Central. Os anúncios estavam ao lado do Quartel-General. E a mim e a todos repugnava chegar ao Quartel-General e ver aquilo: "Povo! Ao comício do dia 13!" Ao lado do Quartel-General! Isso era quase levado como uma ofensa. Eu ainda me lembro de ter chegado ao gabinete do Castelo e ter dito: "Castelo, você já viu a barbaridade?" E ele: "Calma, Muricy, nós temos que suportar isso." Mas era tremendo.
O comício influiu numa porção de oficiais que ainda estavam indecisos se deviam romper com a legalidade ou não. Ele induziu, imediatamente, ao desequilíbrio da balança. Ao comício nós devemos também uma atitude de expectativa para uma ação. E mais ainda: logo em seguida desencadeou-se o episódio dos marinheiros no sindicato dos metalúrgicos, numa indisciplina gritante. Viram-se os marinheiros, com o cabo Anselmo à frente, a dizerem e falarem; os fuzileiros foram lá, cercaram, depois confraternizaram; Cândido Aragão saiu carregado nos ombros; depois veio Jango e libertou os marinheiros; deu anistia a todo mundo e substituiu o ministro da Marinha, Sílvio Mota, que era fraco, mas sério, e que tinha sido meu companheiro na Escola Superior de Guerra.
Como eu disse, principalmente esse começo de ano de 1964 foi de preocupações para a família brasileira. Todo mundo estava sentindo o ambiente cada vez mais pesado. Estava crescendo a perspectiva de uma ação do governo para a implantação de uma república sindicalista. Estava-se vendo o "seu" Brizola – que não era comunista, mas era agitador –, estava-se vendo o crescimento no Nordeste do "seu" Arrais, do "seu" Julião e do "seu" Dante Pelacani. Começou a haver, então, a formação da defesa da própria sociedade civil.

Na parte feminina, organizaram-se as ligas e os grupos. No Recife, foi organizada a Liga Democrática Feminina, que enfrentou o Arrais. A liga resolveu fazer um comício, e Arrais determinou que só poderia ser no estádio de vôlei. As mulheres foram para lá e foi apagada a luz de todo o itinerário. Então, as mulheres acenderam velas: só as mulheres da Liga Democrática Feminina; os maridos e os irmãos, do lado de fora, estavam armados, prontos para tudo, inclusive matar e morrer! As mulheres foram para o estádio e à luz de velas fizeram o comício. A polícia do Arrais ficou em volta, pronta para a ação. Mas todo mundo enfrentou.
Em Minas, houve a ida do Brizola para um comício, e as mulheres mineiras invadiram o local – era na Escola Normal –, botaram o Brizola para correr e ele nem chegou a tomar pé em Belo Horizonte. Voltou para o aeroporto e em seguida retornou ao Rio.
Em São Paulo, fez-se a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Nunca se tinha visto tal massa na rua. Não foram só os maridos, irmãos, primos; foi uma demonstração pública de repúdio à situação como se apresentava.
No Rio, pela Camde, a irmã do Molina, Amélia Molina Bastos, casada com Virgílio Alves Bastos, irmão do Joaquim, organizou uma demonstração que não se realizou porque veio a revolução. Então ela fez a demonstração depois da revolução, já como regozijo, como ação de graças.

Ao mesmo tempo, havia o receio de que a revolução [da esquerda] viesse, e o povo começou a se armar. No Nordeste os proprietários de terras e de usinas se armaram e aos seus capangas contra os camponeses, que também se armaram. Na Bahia, idem. Em São Paulo se armaram, e também no interior do Paraná.
Outro fenômeno que se deu foi que um grande número de pessoas começou a querer sair do Brasil. Dada a instabilidade, as pessoas começaram a se preparar para sair, transferindo fundos para, de uma hora para outra, pegar um avião e ir embora. Muita gente vendeu propriedades para transferir dinheiro para o exterior. Era um ambiente de receio e, ao mesmo tempo, de vontade de lutar e de reagir, que atingiu toda a população.
[A vitória rápida da revolução pode ser atribuída a alguns fatores.] Primeiro, a questão fundamental: a opinião pública e o papel da mulher. A opinião pública, levando as mulheres à frente de grandes massas, polarizou o povo brasileiro para agir contra o governo. Então, não foi possível o governo encontrar apoio nas massas.
Segundo lugar: a preparação psicológica dentro do Exército, um trabalho persistente, de uma porção de anos, numa ação anticomunista. Não foi só anualmente, através das manifestações do 27 de Novembro, mas também através de uma instrução que se prolongou de uma forma intensa, principalmente nos últimos anos, dentro dos quartéis, esclarecendo o que era a guerra revolucionária e preparando para a luta contra essa guerra.
Terceiro: a convicção democrática das forças armadas. As forças armadas brasileiras são constituídas de homens de classe média. Todos nós temos os nossos parentes, os nossos amigos na classe média, que é a que predomina no Brasil e onde o espírito democrático é mais sólido. Então, o governo, que vinha num desmando crescente, foi perdendo, aos poucos, o apoio que a disciplina e a hierarquia mantinham dentro do Exército.
O ex-governador gaúcho Leonel Brizola, por sua vez, a personalidade mais expressiva do nacionalismo radical, procurou atiçar a massa presente contra o Congresso, apontado-o como uma confraria de privilegiados que jamais aprovaria as leis que o Brasil necessitava. Contra este Congresso das Elites ele propunha uma nova constituinte da qual emergisse um Congresso Popular, formado apenas “por homens públicos autênticos”. Na observação do colunista Carlos Castello Branco o comício da Central foi “a festa das definições”(Dênis de Moraes – A Esquerda e o Golpe de 1964, pag.188).
Seis dias após o lançamento das Reformas de Base frente aos 300 mil trabalhadores que compareceram ao comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, veio a resposta. Em São Paulo, tendo a frente o governador Ademar de Barros, 500 mil senhoras católicas, atendendo ao chamado da União Cívica Feminina, desfilaram na Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Manifestaram-se contra “o comunismo” e contra a assustadora desordem que diziam ser instigada pelo governo Goulart (em seguida a vitória do golpe, no dia 2 de abril, a CAMDE, Campanha da Mulher pela Democracia, reuniu no Rio de Janeiro 2 milhões de pessoas).
Como se fosse a representação de um grande Auto medieval, as multidões, pró e contra Goulart, umas com a foice e o martelo, outras com os crucifixos, umas com bandeira vermelha, outras com a verde-amarela, encenavam nas ruas e nas avenidas brasileiras o derradeiro ato de um grande drama político que vinha se arrastando há muito tempo pelo país inteiro.


Um Beijo

5 comentários:

Anônimo disse...

É Tereza estamos devendo muito a essas valorosas mulheres.FIco arre-
piada ao ler sobre esse assunto.Pri
meiro,de orgulho,segundo de medo do
que pode vir no futuro.Devemos se-
guir o exemplo dessas mulheres,e
não desistir de lutar,jamais.
Avante,guerreiras que amam o Brasil.TIAGILA.

Suzy disse...

Tereza, meus parabéns pelo excelente post! Quem sabe as mulheres hoje possam compreender e seguir o exemplo dessa força feminina de então. Postei o mesmo assunto lá no blog e fiz uma chamada para o seu.
Beijos

Anônimo disse...

Tereza,voltei para dizer que esse assunto não deve ser esquecido.De vez em quando deve ser relembrado e passado adiante.Eu vou fazer a minha parte.Na primeira oportunidade,vou ler o artigo para as mulheres da minha igreja,alertando-as,e tambem conscientizando-as sobre o 'foro de São Paulo'.VAIAR,MARCHAR E DERRUBAR,É SÓ COMEÇAR. TIAGILA.

Anônimo disse...

Tereza, muito obrigada por esclarecer o papel importante das mulheres na revolução democrática de 64.
Quando eu estava pendurada no pau de arara sendo sodomizada por um cabo de vassoura era a única coisa na minha cabeça: "graças a Deus pelas guerreiras cristãs da liberdade!"

Kelly disse...

Gostei do que vc disse, minha avô participou dessa marcha, e vibrava quando nos contava.

Você conhece alguém que participou da Marcha da Família com Deus pela Liberdade em 1964?

se sim, me escreva

mnemosyne_clio@hotmail.com

tenho curiosidade em colher depoimentos.