21 de set de 2007

A marcha dos “sem-mídia”

Eis que, em meio ao comodismo e indiferença de muitos, surge mais um louvável movimento reivindicatório no seio da sociedade. Ainda incipiente, mas a princípio, notadamente se tomamos por base seus princípios, louvável. Já tínhamos as justas demandas dos sem-terra e dos sem-teto, só para citar alguns dos muitos e vexatórios exemplos de “despossuídos” desse país tão pródigo em riquezas e, paradoxalmente, tão pleno também em desigualdades. Agora é a vez dos “sem-mídia” libertarem-se da inércia, ocuparem as ruas e colocarem a boca no trombone – ou melhor, no megafone. E dizer a que vieram.Foi sem carro de som, mas portando um singelo megafone (comprado a partir de contribuições voluntárias de alguns participantes – a chamada “vaquinha”) que o gerente de exportações e “blogueiro” Eduardo Guimarães, 47, conduziu, naquela manhã ensolarada de sábado, 15/09, das 10h até cerca de meio-dia, a primeira manifestação do “MSM”, o auto-intitulado “Movimento dos Sem-Mídia”.O ato se deu, emblematicamente, na porta do jornal Folha de S.Paulo – este, segundo os integrantes do movimento, um inquestionável paradigma de veículo da mídia que pratica um tipo de jornalismo bastante em voga hoje em dia. Um jornalismo alicerçado num moralismo e “denuncismo” seletivos, espúrios, que protege a uns e ataca a outros. Com o gravame de, em alguns casos – como o da própria Folha – alardearem-se “pluralistas” e “imparciais”. Mas este veículo não é o único e privilegiado alvo do “MSM”. A revista Veja, o “Estadão” e a/o Globo também estão em sua alça de mira – os jornalistas sabujos dos patrões e os que venderam a alma ao mercado (e aos mercadores de mentiras e maledicências), também. Estão previstas novas manifestações no RJ e, mais uma, na cidade de São Paulo. Esta última, em frente ao prédio da Editora Abril, onde fica a redação da revista Veja, numa das margens das pútridas e fétidas águas do Rio Pinheiros.Guimarães leu, sempre franqueando a palavra aos demais manifestantes, um manifesto/documento que foi, ao final, entregue na portaria do jornal. Ao fundo, uma faixa, dentre tantas, onde se podia ler: “Que a mídia fale, mas não nos cale”. Quase todos os manifestantes ostentavam etiquetas no peito onde se podia ler: “MSM”, ou, “MSM – Contra o império da mentira”. Alguns ainda rasgaram cartas e boletos bancários com propostas de assinaturas, e jogaram na sarjeta – literalmente – exemplares da Folha e da Veja.Uma das principais bandeiras do movimento, estabelecidas cabalmente em seu, um tanto prolixo, manifesto (ler em http://edu.guim.blog.uol.com.br), é a defesa do pluralismo e da verdade factual na cobertura feita pela mídia. Os “sem-mídia” se dizem “apartidários”, e acrescentam que, em face disso, não defendem ou estão a serviço do partido X ou Y, do governo W ou Z. Questionam (e condenam) o caráter oligárquico do “mercado” da comunicação no Brasil. E trazem à tona, como pauta de discussão junto à sociedade, importante tema e questão: a informação é “mercadoria” preciosa e estratégica que está nas mãos de poucas famílias – muitas das quais serviram diligentemente ao regime militar e hoje seguem servindo, também de maneira diligente, àqueles que Raymundo Faoro chamava de os “donos do poder”. Também alertam para a gritante impropriedade (isso para dizer o mínimo) de muitas concessões de rádio e TV estarem nas mãos de políticos e/ou de apaniguados destes. Para alguns, decerto, pode parecer pouco um ato em que participaram “apenas” duas centenas de brasileiros, quase todos oriundos da classe média. Mas se levarmos em conta o individualismo e o comodismo dos indivíduos nos dias modorrentos e apáticos em que hoje vivemos, esse feito agregador/arregimentador dos “sem-mídia” não é nada desprezível – ao contrário. Outro dado importante a se considerar: o movimento já “pulula” e espalha seus brados na internet e na “blogosfera” e conta com o apoio, bastante diverso, de jornalistas, professores, intelectuais, desempregados, estudantes, profissionais liberais e outros mais. Lá, no mundo virtual, seguramente, já passam das duas centenas reunidas em SP, já chegam aos milhares.Este observador pode até estar equivocado, mas o “MSM” parece ser uma onda que cresce, de modo espetacular, se agiganta e se espalha. E parece ter vindo para ficar. Assim seja. A marcha dos “sem-mídia” deve prosseguir. Quem ganha com isso é o jornalismo – e o país. E, claro, o povo brasileiro.

Um comentário:

Angelo da C.I.A. disse...

Putaqueupariu, quem foi que entrou aqui e colocou esta merda?

MSM? Edu Guimarães? Quanto lixo. Se estão "Sem mídia", batam às portas da Carta Capital. Se bem que lá só se escrevem matérias "com cartucho" governamental.

Desencarna daqui, SATANÁS!!!